Menos de 48 horas e pronto: ingressos esgotados para ver a homenagem que a cantora Maria Rita e o produtor João Marcello Bôscoli prepararam para Elis Regina. A turnê Viva Elis desembarca em Belo Horizonte domingo, às 16h, no Parque das Mangabeiras, com a promessa de repetir aqui o êxito que alcançou em capitais como Porto Alegre e Recife.
O Twitter oficial da cantora (@MROFICIAL) é bom termômetro do que tem sido essa experiência, seja para ela ou para a plateia. A lista de mensagens guarda um pouco de tudo. Desde explícitas manifestações de carinho a comentários sobre o repertório e a performance. Mas se há um lugar-comum no discurso da rede é a forte carga emocional que o show carrega.
Em setembro, Maria Rita completa nove anos de carreira, com quatro discos lançados e dois DVDs. Em sua obra, até então, nem resquícios de Elis Regina, a não ser uma providencial alteração, somente nas apresentações ao vivo, na letra de Pagu (Rita Lee e Zélia Duncan). Maria Rita entoa “minha mãe é Maria alguém” em vez de “minha mãe é Maria ninguém” como consta no original. Nada mais.
Desde o início, a cantora escapuliu da pressão de interpretar o repertório eternizado na voz de Elis. A justificativa sempre foi o imenso respeito que nutre pela obra da mãe, discurso que mantém firme. Só agora, com a maturidade em outro patamar, ela sentiu que era o momento de se apropriar de algumas canções e mostrá-las ao público (e fez muito bem de esperar a hora certa para se encontrar com a mãe no palco). Maria Rita frisa: “O projeto é apenas uma homenagem. A plateia entendendo isso é diversão e emoção para todo mundo.”
Genética Por ser filha de Elis Regina, mesmo que Maria Rita quisesse, seria impossível não se parecer com a mãe. É genético. Coisa da natureza. Não há como não ser assim também no palco. Em canções em que há pouca alteração no arranjo, a semelhança torna-se mais gritante. Um dos méritos de Maria Rita nesse projeto foi justamente dosar bem o respeito aos arranjos originais na mesma medida em que se permitiu experimentar, avançar e –por que não – personalizar a maneira de cantar alguns clássicos.
Acompanhada de Tiago Costa no piano, Silvio Mazzuca no baixo, Davi Moraes na guitarra e Cuca Teixeira na bateria, Maria Rita alterna climas ao longo dos 100 minutos do show. O repertório mescla canções tidas como lado B (Imagem, Morro velho, Menino) com os hits, aliás, a maioria. Para escolher as 28 músicas que compõem o set list, a cantora fez uma primeira peneira com 63.
O bloco composto por Saudosa maloca, Agora tá, Ladeira da preguiça, Vou deitar e rolar e Querelas do Brasil é o ponto alto. Sem falar da parcela “emocional” do repertório, com Tatuagem, Essa mulher, Se eu quiser falar com Deus. Tem ainda do momento Milton Nascimento, com O que foi feito devera e Maria Maria, que também não fica devendo. E o que dizer do bis, com Fascinação? É bem difícil escolher “o” melhor dessa homenagem. Talvez isso dependa da relação com a plateia. A julgar pelo ímpeto dos belo-horizontinos na retirada dos ingressos, o encontro marcado para domingo será, no mínimo, especial. E que cada um escolha seu melhor momento, não é mesmo?
Três perguntas para...
Maria rita
cantora
O que tem surpreendido você ao longo da turnê Viva Elis?
A lembrança que as pessoas têm do repertório dela, e a avalanche de mensagens carinhosas, de apoio, força que tenho recebido. Dizem que o brasileiro não tem memória, mas Elis prova o contrário...
O que a experiência de cantar esse repertório tem revelado à cantora Maria Rita?
Que minha mãe é, ainda, de fato, a maior e melhor cantora do Brasil – sob todos os aspectos: força, repertório, inteligência, temporalidade. Marcou o país de uma maneira relevante, palpável, concreta, histórica.
Houve mudanças no repertório desde a pré-estreia, no Rio de Janeiro?
Belo Horizonte é a terceira cidade a nos receber, portanto não há espaço para mudar repertório. Além disso, há algum mal entendido quanto a isso, que já pipocou em algumas matérias – já que não tenho músicas ‘sobrando’. Acho bem difícil mudar o repertório. Para que isso ocorresse, eu teria que entrar em estúdio novamente, o que acarreta questões de logística e de orçamento... Não costumo alterar repertório. Quando monto um espetáculo, penso em quem não o viu. O repertório é o mesmo, assim como o cenário, a luz etc. Da estreia ao encerramento, mantenho aquele lance todo igual para quem ainda não viu.
Ingressos esgotados
Os ingressos estão esgotados e não haverá distribuição na entrada. A distribuição dos bilhetes é mais uma prova das dificuldades enfrentadas por artistas e produtores em realizar eventos abertos, com entrada franca para grande público em B. O show, inicialmente previsto para a Praça do Papa, foi transferido para o Parque das Mangabeiras, o que levou a organização a ter problemas com a associação de moradores da região. Daí a distribuição antecipada, fruto de delicada negociação.
Fonte: uai

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